Sobre velhas lembranças na estante

19 julho, 2015
Créditos: PublicDomainArchive

Dia desses fui organizar minha estante. Confesso, nunca fui símbolo de organização e as coisas precisam estar realmente uma bagunça para que eu me manifeste e tome alguma atitude. Mas, apesar de ser uma atitude que não me agrada muito, remexer nas antigas coisas remete ao passado e as lembranças que ficam congeladas, sejam boas ou ruins. É engraçado como as memórias parecem materializar em estantes e prateleiras. Ficam ali, imóveis, estáticas, esperando que alguém as desenterre do fundo do baú - ou da gaveta.

O primeiro que chamou minha atenção foi um caderno velho, com todas as folhas rabiscadas. As que não tinham contas matemáticas ou lições de química, as quais nunca entenderei, carregavam vários corações que me fizeram lembrar a primeira paixão e letras da minha banda preferida da época. Cantei e dancei como fazia, dessa vez sem meus amigos para acompanhar e sem o ventilador que usávamos para acreditar que estávamos em um vídeo clipe. Não tínhamos medo de sermos bobos. Estávamos apenas sendo felizes.

Em seguida encontrei um ingresso, já gasto pelo tempo. Quase não se dava para ler o que estava escrito, mas não precisava de letras para saber o que aquilo significava para mim. Automaticamente me lembrei dos shows que fui e lavei minha alma. Dos eventos que fui e vivi momentos inesquecíveis. Das pessoas que me acompanharam e das que conheci nessas pequenas aventuras. Não pude deixar de sorrir. Não consegui evitar querer tudo de novo.

Voltei mais no tempo abrindo o guarda roupa e encontrando um vestido da infância. O rosa já está desbotado e existem alguns rasgos no tecido, resultado das minhas travessuras. Agora ele está também um pouco molhado, dado às lágrimas que caem involuntárias. Certas coisas nunca mudam, e uma delas é o fato de eu ser uma bela manteiga derretida desde nova. E as imagens do passado inundaram meu pequeno quarto, me levaram para uma viagem da qual não queria mais descer. Mas a vida chamava. Guardei tudo, junto com uma parte da minha alma. E fui coletar no mundo mais souvenires para a grande estante que é a vida. 

5 comentários:

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  1. No fundo, somos as lembranças do nosso passada e tudo que vivemos. Estejam elas guardadas de maneira física ou não.
    Belo texto!
    Abraços Mika
    Pensamentos Viajantes

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    1. Exatamente, Mika. Acredito muito nisso. Somos o que vivemos *-*

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  2. Tem como não adorar qualquer um dos teus textos?

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    1. Ai que linda, Dani! Muito obrigada mesmo *o*

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  3. Algo que eu costumo guardar são cartas e bilhetes que recebo, tenho várias em uma caixa. Algumas das pessoas nem estão mais na minha vida, mas é sempre emocionante ler e reviver as lembranças e memórias guardadas da época em que aquilo foi escrito.

    http://lenabattisti.blogspot.com.br/

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