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13 abril, 2015

E lá se vai mais uma primavera... 

Nasci na cidade grande e vivi toda minha vida (até agora) em um lugar repleto de verde. Fui uma criança comum. Dei trabalho pros meus pais, quebrei os enfeites das estantes das pessoas e pulei do berço como quem queria voar pro mundo. Pois é, desde essa época já tinha o sentimento de liberdade (e o jeito atrapalhado de ser) que me acompanha até hoje...

Desde nova também descobri minha paixão pelas artes. Paixão que passou por todas as vertentes possíveis: Dança, artes plásticas, música... Até a maior de todas: O teatro. Aos 4 anos estava em cima de um palco dançando a dança do vampiro (!) e adorando tudo aquilo. Timidez nunca foi bem o meu forte, embora tenha um certo bloqueio para expressar o que sinto até hoje - e é aí que entram as palavras escritas. Se não estava no palco dançando, estava na frente da TV ou do som cantando Spice Girls. Queria ser a Emma Bunton. E com elas aprendi mais inglês do que em todas as aulas que tive na vida. Um agradecimento especial também às séries e aos jogos de Vídeo Game que ajudaram no processo.

Acho que o que quero dizer é que fui sim uma criança normal. Mas que nunca estive dentro dos padrões. Conforme fui crescendo, fui fortalecendo meus gostos. Nas reuniões de família, enquanto as moças falavam de maquiagens e mostravam suas roupas umas pras outras, eu estava na sala gritando gol do meu time do coração. Acordava cedo aos domingos pra assistir à fórmula 1. E até hoje me programo pra assistir o máximo de eventos possíveis nas Olimpíadas, Pan, Jogos de Inverno e afins. Adorava perder pro meu irmão no Mortal Kombat - e ganhar no Guitar Hero. E já expliquei pra várias amigas o que raios seria a regra do impedimento. Minha adolescência foi regada à livros e estudo, enquanto minhas amigas descobriam aos poucos as baladas da cidade. E nunca tive problemas quanto a isso. Mas tive problemas com relação a outras coisas... 

Sempre fui magrinha. Muito. Do nível de me perguntarem se sou anoréxica ou se não me alimento. Pra ambas as perguntas: Sou uma pessoa saudável. Tudo uma questão de genética. Como bacon, pizza, pastel e o que mandarem. Cresci ouvindo apelidos e piadas que pra quem fala, são inocentes. Pra quem ouve, machucam e muito. Sofri muito por não me aceitar como era. Evitava roupas que mostrassem as pernas, por serem finas demais. Não gostava de regatas, porque elas evidenciavam os ossos das costas (que algumas pessoas adoravam contar). 

Até que um dia, percebi que aquilo estava muito errado. Sempre tive um instinto protetor e cuidava de todos, mas estava esquecendo da pessoa que mais deveria cuidar: Eu mesma! 

Queria escrever um texto hoje, no dia do meu aniversário, contando um pouco mais sobre mim. Mas, além disso, achei que seria uma boa hora pra expôr como eu quebrei as barreiras que eu mesma impus e agora estou aprendendo a me amar do jeito que sou. Sim, aprendendo. Porque não é tarefa fácil e tem dias que a recaída vem. O bom é que ela logo passa. Hoje ainda tenho paixão por vídeo games (inclusive, enquanto escrevo esse texto, estou usando minha camisa playstation que amo ostentar), maratono séries e estudo até quando não preciso estudar (conhecimento nunca é demais). Mas, ao mesmo tempo, sou extremamente vaidosa, adoro um batom vermelho e não saio de casa sem meu creme. E o mais importante: Uso a roupa que quero usar. Independente dos meus poucos quilos ou das pernas finas. 

Me custou um pouco para entender isso. E sei que existem muitas outras coisas que preciso aprender. Mas ainda tenho alguns bons anos pela frente pra errar e acertar. Mal vejo a hora. Parabéns para mim, nessa data querida. 

O clube dos corações partidos e endurecidos

12 abril, 2015
Créditos: Skitterphoto
Bem vindos ao clube dos corações partidos e endurecidos. Se engana se você pensou que ao entrar se depararia com um open bar de sorvete e Adele tocando incansavelmente no repeat. Aqui o que você encontrará mesmo são pessoas desiludidas do amor. E que mal há nisso? Onde foi que o ser humano assinou um contrato que o obriga a esperar e sonhar com grandes amores e paixões dignas de roteiros? Até preciso concordar que muitos aqui acreditaram nessa premissa. Hoje, porém, acreditam apenas neles mesmos. Vez ou outra alguém acaba saindo pela porta e indo viver sua história com outro alguém. Isso prova que não é uma prisão. Muito menos uma escolha. É um estado de espírito.

Esse talvez seja o clube mais democrático de todos, afinal, o amor nunca escolhe onde vai fazer sua próxima vítima. E quando ele deixa de existir no dia-a-dia, já não há mais o que fazer.

Esqueçam as mesas de bar. Ao invés da cerveja, esvazia-se as lágrimas e as mágoas. Enchem-se os copos de dor. E joga-se tudo pelo ralo. Não há também grandes conversas. Nem se ouve risadas animadas ou uma música qualquer ao fundo. Existes pessoas reagindo de diversas formas à uma mesma situação. No canto, alguns choram baixinho, sentados no chão o amor que perderam. Algumas viúvas dividem o luto entre si. Outros, mais inconformados, usam a parede e os objetos ao redor para exteriorizar sua dor. Não há mocinho, não há vilão. Há pessoas decepcionadas com o amor.

Eu estive lá também. Queria entender meu sofrimento.

Não chorei, nem quebrei nada. Apenas observava, isolada, pessoas chegarem e saírem. Pessoas maldizendo o amor, e outras esperando que, dessa vez, ele fosse mais bondoso. Não disse nada também. Meu papel e caneta disseram por mim. Escrevi histórias, ouvi relatos e minha alma de escritora absorveu todas as experiências. Até que chegou a hora de tomar meu caminho também. Saí sem ter um amor, mas percebi que precisava ter uma vida.

Uma conversa ao entardecer

08 abril, 2015
Créditos: Haroldo Kennedy
LEIA A PARTE 1 AQUI

Sento-me num banco qualquer, mas tenho certeza que a praça era aquela. Alheio à rotina do resto do mundo, fico ali a aguardando enquanto observo aquele belo entardecer de verão. Nesse tempo de espera, aproveito para relembrar todas as vezes em que ela me ajudou, mesmo com suas broncas e que talvez essa seja a nossa última conversa.

Lá vem ela ao longe. Me parece meio diferente, mas acho que já estou acostumado a essas mudanças. Assim que se senta ao meu lado, me entrega um pacote. Era meu sanduíche predileto.

- Obrigado, realmente não precisava se incomodar.

- Acho que depois de abusar da sua boa vontade e de beber seu 18 anos, deveria te fazer um mimo.

- Obrigado novamente, agora mate minha curiosidade. Por que aqui, por que hoje?

- Nada em especial com a data, mas aqui porque eu sei que você iria adorar esse entardecer entre essas árvores. Fiquei feliz em ver sua evolução depois daquela nossa conversa, mal precisei te dar uns esporros depois dela. Parece que finalmente tomou jeito na vida.

- Sim, tomei. Se não fossem suas insistências acredito que não estaríamos aqui hoje...bem, na verdade estaríamos mas não dessa maneira, acho...

- Hahahahaha quase isso! E como vai sua esposa?

- Como se não soubesse a resposta... a visito todas as semanas. É meio estranho dizer sobre isso com você, afinal foi quem mais me amparou quando ela se foi. Ainda sonho com ela, sonho com aquele telefonema que praticamente começou tudo, ou deveria dizer recomeçou?

- Apenas te abri a porta para uma nova oportunidade, sabia que você seria capaz de corresponder às minhas expectativas. Me atrevo a dizer que você excedeu todas elas, te parabenizo por isso.

- Obrigado de novo.

- Mas agora vamos ao que interessa. Vê todas essas pessoas?

- Sim, o que tem elas?

- Queria te mostrar uma última verdade. Todas elas sou eu e todas elas são você.

- O quê quer dizer com isso?

- Simples, se lembra daquele texto da Bíblia que diz sobre onipotente e onipresente?

- Você não quer dizer que...

- Sim, isso mesmo que você está pensando.

- Então você fala somente comigo?

- De forma alguma, falo com todos os que querem me ouvir, falo de diversas maneiras. Com você, esse foi um dos meios que escolhi para que entendesse o significado da sua vida.

- Engraçado, sempre te vi de outra forma.

- Eu sei, todos me imaginam como um velho barbudo, mas posso ser o que você quiser na verdade.

- Ta explicado porque você mudava seu visual toda vez que nos encontrávamos, mas dessa vez é praticamente outra pessoa.

- Sim, porque essa é uma ocasião especial. Você veio sentindo isso a algum tempo.

- Achei que eram apenas sonhos... De qualquer forma é estranho, não sinto medo.

- E não é para sentir, afinal no fim não existe céu ou inferno, não existe julgamento final. Não existe mais medo ou pecado, não existe você, na verdade nunca houve você. Apenas nós.

- Tudo faz sentido, todo esse tempo então... Era eu conversando comigo mesmo...

- Sim, você falava consigo mesmo, mas ao mesmo tempo comigo. Com a minha centelha em você. Afinal estou presente em todas as coisas.

- Parece que no fundo sempre soube.

- Você sempre teve uma intuição forte. Acredito que já é hora de irmos.

- Tudo bem, já fiz tudo que precisava.

E assim, de mãos dadas, partimos em direção ao entardecer. Para um outro lugar, onde poderia enxergar o mundo e as estrelas sob uma nova paleta de cores.


A semente da laranja

05 abril, 2015
Créditos: Marina Pascual

Muita gente sonha em encontrar a sua metade. A tão sonhada alma gêmea pra viver. Te digo que você não é a minha. Ambos sabemos disso. Você não é a metade da laranja, mas é a semente dela. Por que está impregnado dentro de mim e não sai tão fácil. Se não está, é como se faltasse um pedaço e nada mais consegue substituir. E o mais importante: É você que me enche de vida. Que faz o ciclo das coisas acontecerem de forma mais feliz.

Por você me escancarei: Retirei toda a casca e a dureza que tinha em mim. E quando olhei pra dentro, você estava lá. Em todas as partes do meu corpo. Sei que sou azeda. Amarga, em algumas ocasiões. Mas sua presença é que adoça minha vida. Você me proporciona uma explosão de sabores, um melhor do que o outro. E juntos, só temos a crescer.

Mas se você vai embora...

Se você se arranca de mim sem nenhum motivo, eu murcho. Perco a forma e a cor. Vou perdendo um pouco da vida e só me sobra a carcaça. Meu suco de felicidade seca e só volta a ficar o gosto amargo da boca. Mas verdade seja dita: Sem mim tua vida fica incompleta também. Fica a sensação de que algo falta e de que você pertence a outro lugar.

Sem minha alegria, e até mesmo meus dias de azedo, te falta o que precisa pra ficar em paz. Sem todos os meus defeitos e minhas contáveis qualidades, você fica sem o combustível que te faz crescer. A semente seca e só sobra o ar seco e assustador da solidão. E a solidão nunca fez bem pra o crescimento de uma paixão.

Então te peço: fica. Não germina teu jeito manso por aí, porque no jardim da vida, a gente só tem a crescer.

#MeAmoAssim: Playlist - 9 músicas que elevam a auto estima

04 abril, 2015
Créditos: Reprodução

A playlist de hoje é blogagem coletiva de um grupo muito amor do facebook: O Me amo assim. Um grupo que estimula o amor próprio e ajuda as pessoas a se amarem exatamente como são. O tema desse mês foi criar uma playlist com músicas que ajudam a elevar a auto estima. E eu fiz a seleção de músicas mais girl power da minha vida! ahahahah Falando em girl power, inclusive, não poderia deixar de começar com elas: 



Escuto as Spice desde criancinha e adoro como as músicas delas me inspiram, me colocam pra cima e me deixam feliz. O espírito girl power se instaurou em mim por culpa delas! ♥
Sem mais delongas, vamos às outras:









Já que estamos falando de Stronger... Tem essa aqui também, lembram?







Cory :( ♥
Por fim, deixo uma que andou fazendo o maior sucesso e acho que tem uma letra que tem TUDO a ver comigo hahahahah



Gostaram? Com uma playlist dessa, é impossível ficar se sentindo pra baixo. Então, vamos nos amar que não tem coisa melhor no mundo! Aproveita e confira as postagens de outras participantes:

Agridoce Cereja | Coisas do Tempo | Ingrid Gleize | Bluebell Bee (Tem BsB na playlist dela genten ♥)

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01 abril, 2015
Créditos: markusspiske

Vou colocar um anúncio no jornal com os seguintes dizeres:
“Procura-se uma ariana com ascendente em leão
Mas aceito libra ou até escorpião
Desde que apague esse fogo,
Encare esse jogo
Que às vezes causa um certo medo
E bem lá no fundo alguma frustração.”

Pensando bem, uma pisciana
Que encare minhas viagens
E mergulhe nelas sem temor
Talvez uma canceriana,
Que saiba lidar com a paixão e o rancor...

Acho que na verdade,
O que procuro mesmo
É uma forma de me encontrar
De me achar em algum lugar e poder dizer:
“Onde você esteve esse tempo todo?
Estive no fundo da sua alma, você apenas não queria me enxergar”

E assim,
Mesmo quando olho pela janela
Com aquele olhar vazio e frio
Sei que no horizonte existe um outro olhar distante
Que como a chuva em São Paulo,
Surge do nada e me lava a alma.