Contagem Regressiva | Mensagem aos Leitores

30 dezembro, 2014
Esse não é um daqueles textos de prestações de contas de fim de ano. Nem de metas para 2015. Ou talvez seja um pouco de ambos, fica a critério de vocês decidirem. O que tenho certeza é que esse será o texto mais pessoal e aberto que já coloquei aqui. Falarei única e exclusivamente de mim. Vocês devem ter percebido que sou mera coadjuvante e procuro ficar "às escuras", mas a ocasião merece.


     BILHETE DA GARRAFA | Contagem Regressiva

Escrevo desde muito nova. Talvez porque, em relação a sentimentos, sempre soube me expressar melhor com um papel e caneta do que com as palavras ditas. Mas guardava meus escritos para mim. Perdiam-se entre cadernos antigos, entre folhas rabiscadas e iam parar nas latas de lixo em uma daquelas grandes faxinas que toda casa sofre. E eu nunca me importei com isso, porque na minha concepção, sempre haveria palavras novas a aparecer nessa minha mente sempre tão cheia de coisas.

Com a chegada do tumblr, comecei a "me mostrar" para o mundo, e ao mesmo tempo, permanecia anônima. E isso me incentivou a postar meus escritos, como quem os joga ao vento e espera que alguém os pegue. A vida adulta chegou, os compromissos aumentaram e o tumblr ficou de lado...

Por insistência de amigos próximos (que hoje eu só posso agradecer imensamente por terem convencido a cabeça dura aqui. Valeu mesmo Clebs e Angel!), criei um blog. Mas foi nesse ano, que com a cara e com a coragem me lancei na blogosfera. Decidi que minhas mensagens deveriam tomar asas e voar pra onde quer que fossem. E em cada texto, crônica ou carta que faço, coloco tudo de melhor que há em mim. E o retorno que recebo é algo inexplicável...

Primeiramente, queria agradecer a cada um que parou por aqui nem que fosse por alguns minutos e se envolveu nas minhas tramas. Um agradecimento a mais aos que deixaram seu recadinho, todos sempre muito motivadores e carinhosos. Se decidi que quero levar o blog a sério, os grandes "culpados" são vocês! De verdade, meu coração se enche de alegria toda vez que leio o que escrevem. Aos meus (ainda) poucos, porém fiéis leitores. Sinto que achei minha vocação nesse mundo louco. E que essa vocação é escrever. E enquanto tiver inspiração e instrumentos suficientes, estarei aqui. 

Além dos leitores, quero agradecer imensamente aos meus amigos. Aqueles que me apoiaram desde o primeiro momento. Que são meus críticos. Que divulgam, que me cobram textos novos. Que me aguentam no whatsapp ou pessoalmente falando sobre o blog, os textos, os planos e tudo o mais. E que, principalmente, acreditam em mim. Vocês são os pilares que sustentam esse meu sonho. Isso tudo é um pedacinho de cada um de vocês. 

Também quero aproveitar pra dizer que 2015 será o ano de crescimento do blog. Já tenho projetos pra longo prazo, futuros colaboradores e uma coluna nova confirmada. Vai ter também layout novo! Aos poucos vocês serão apresentados a tudo isso. A única coisa que posso afirmar por enquanto, é que o Bilhete da Garrafa continuará com a mesma essência que, pra minha profunda alegria, encantou vocês desde sempre.

Peço perdão se o texto saiu maior do que o esperado. Pra terminar, quero dizer algo clichê, mas que faz total sentido pra mim hoje: Acredite no seu potencial e coloque muito amor e dedicação em tudo o que fizerem. 

Que tenhamos um 2015 maravilhoso!

Com Carinho,

Dai. ♥

Trilha Sonora da Minha Vida

28 dezembro, 2014


      BILHETE DA GARRAFA | Trilha Sonora da Minha Vida

Recentemente, eu entrei no Rootaroots, um grupo de interação entre blogueiras muito interessante (vale a pena conhecer!) e entre os projetos, encontrei essa blogagem coletiva com o tema Trilha Sonora da Minha Vida. Como sou movida a música, não podia deixar de montar a minha! Depois de muito quebrar a cabeça - porque queria colocar taaaaantas músicas que isso mais ia parecer uma rave -, escolhi aquelas que são atemporais pra mim. Que não importa como estou me sentindo ou o que anda acontecendo na vida, elas sempre estarão no player. Bora conferir? Então dá o play e continua lendo:




Why Georgia - John Mayer: John Mayer acompanha minha vida há anos. No começo do blog eu fiz um post sobre ele, falando um pouco inclusive sobre o show que ele fez em SP no ano passado e que eu tive a felicidade de acompanhar. Você pode conferir aqui. Entre tantas músicas maravilhosas, essa tem um significado muito forte pra mim e "Am I Living It Right?" virou quase um mantra.

Faça desse Drama - 5 a Seco: Foi amor à primeira música. Eles tem letras lindíssimas, um talento inegável e essa música tem uma letra muito positiva. Te faz querer esquecer os problemas e sair dançando. Brasa mora, agora deixa estar, vai passar... ♪

Fast Car - Tracy Chapman: Essa letra trás uma história triste, que te me faz refletir muito. Ao mesmo tempo, me dá uma vontade de sair desbravando o mundo. Pegar um Fast Car e sair por aí sem rumo.


Dancing Queen - ABBA: Eu tenho uma influência forte dos anos 70, 80 e 90. E ABBA é uma banda que aprendi a gostar graças ao meu pai.Essa é outra música ótima pra sair dançando feito doida pela casa!

Stayin' Alive - Bee Gees: Trilha sonora de um dos filmes que mais gosto, Os Embalos de Sábado a Noite, essa música já foi meu despertador, toque de chamada, de sms... Então mais do que justo do que colocá-la na lista.

Jaded - Aerosmith: Mais uma das músicas que me fazem refletir sobre tudo. Fora que é linda, e Aerosmith é muito bom!

Poster Girl - Backstreet Boys: Sou fã dos BsB desde 2007, já tive o prazer de ir à um dos shows que fizeram no Brasil e pretendo ir aos próximos! E de todas, uma acabou me marcando tanto que virou uma espécie de pseudônimo. Poster Girl está presente em 80% das minhas urls por esse mundão cibernético hahahaha Não enjoo, não troco. É minha queridinha mesmo. ♥

Nada Sei - Kid Abelha: Sou errada, sou errante. Sempre na estrada, sempre distante. Vou errando enquanto o tempo me deixaaaaaaaaaaar... Quem nunca se pegou cantando essa música, no karaokê ou nas festas de família hahahah Kid Abelha é uma das bandas nacionais que mais gosto e essa música é um hino.

Djobi Djoba - Gipsy Kings: Montando essa playlist percebi que sou uma camaleoa musical! Adoro esse ritmo cigano. É tão contagiante. Impossível ficar parado. E essa música tem um significado muito especial, relembra os exercícios de teatro que fazíamos (beijo, tio André!) e me remete à essa paixão por atuar que sempre tive.

I Lived - One Republic: Pra encerrar, essa música que me remete muito mais ao futuro que ao passado. Ouvindo I Lived, eu imagino tudo o que quero viver e ainda não consegui. Me dá força pra correr atrás de tudo o que quero conquistar. E no fim da vida, como ela mesma diz, ter vivido mesmo com todas as cicatrizes.


Essa foi a minha playlist. Se identificaram? Saíram dançando ou cantaram alto alguma música? Conta pra mim nos comentários!  

Eu não me esqueci

26 dezembro, 2014

Eu não me esqueci de um detalhe sequer. Do seu sorriso de lado. Do seu olhar cansado, mas sereno. Ou daquele olhar indignado quando eu falava algo que você considerava besteira. E quanta besteira eu falei... Besteiras de fazer doer a barriga e te fazer soltar a gargalhada mais gostosa de todas, que eu abria os ouvidos pra ouvir. E abria o coração também. 



Ainda me lembro de todas as palavras ditas e até das não-ditas que ficaram no ar, mas que eu consegui de alguma forma captar. Lembro do silêncio e do vazio, do aperto do peito cada vez que tínhamos que nos despedir. Por mais que a volta era certeira, sempre havia a sensação de que poderia ter ficado mais, abraçado mais. Talvez te roubar pra mim e te trancar nos meus sonhos, porque quando acordasse deles, você ainda estaria ali... 

Talvez você não lembre - ou finja não lembrar -, mas era no meu abraço que você repousava. Era sob o meu olhar que você descansava feliz. E por trás dessa pose e desse orgulho havia um turbilhão de suspiros, sorrisos e sussurros que eram só pra mim. E eu fiz dessas lembranças meu refúgio mais sereno. Nessa alma nostálgica, me sobra o teu rosto na memória.

E como numa cena daqueles filmes bestas que parecem não existir na vida real, eu paro em frente a janela do meu quarto e me pergunto se você ainda para e pensa em mim. Se questiona ou reflete sobre todas essas coisas. Ou se na primeira brecha você pulou e me esqueceu de vez. 

É bem capaz de você querer esquecer. Porque também houve mágoa. Houve insulto e palavra forte pra gritar pro mundo os cortes que estavam abertos. Houve grito que na verdade era de socorro pra você salvar. Mas na verdade, nós tínhamos que salvar a nós mesmos. Se estendêssemos a mão, ambos cairiam no abismo. E foi aí que a ponte quebrou. Que o laço foi desfeito. Que o fiozinho minúsculo ligado ao barril de pólvora foi aceso. E não teve mais gargalhada boa. Só teve solidão. 

E é essa solidão que insiste em tomar todos os atalhos e dobrar todas as esquinas pra chegar até você. Que bate na minha porta a noite e me lembra do que ainda não me esqueci. E nem sei se queria esquecer...   

Então é Natal...

23 dezembro, 2014
E então... 

As pessoas se abraçavam em um gesto simples e repleto de carinho. Casais apaixonados trocavam beijos e carícias para reafirmar seu amor. O cachorro latia. Não de susto, mas por querer compartilhar aquele momento também. As crianças corriam felizes, em meio aos papéis no chão. Até mesmo os mais emburrados, esbanjavam os  melhores sorrisos que podiam soltar. Ao fundo aquela música típica que remetia a todos que havia chegado a hora.

BILHETE DA GARRAFA | Então é Natal...

Mais do que celebrar. Era momento de refletir e pensar no bom e no ruim. No não concretizado e no que ainda estava por vir. Nas metas, no choro, no coro completo. Na força que um pensamento bom tem. Na alegria de se estar com quem se ama. Era momento de apenas estar, e ser feliz por isso. 

E então as luzes se acendem. A cidade vira um espetáculo de cores e formas, numa dança singela que encanta os olhos de quem vê. Sobem e descem, até desaparecerem na escuridão e na imensidão do céu. E todos os olhares se voltam para lá. Nas janelas, nos parapeitos, nas ruas, nas praias. Não importam onde estejam, o gesto coletivo demonstra a unidade que esse momento significa. E essa luzes se misturam e combinam com aquelas tantas da cidade. Aos faróis e as árvores iluminadas, às casas, todas acesas. O mundo brilha em clima de união.

O mesmo vermelho das mesas é o do coração que bate feliz. O brilho das luzes só não reflete tanto quando o do olhar de quem se gosta. Deixar os problemas de lado por algumas horas e sentir como é bom estar vivo e com quem se quer bem.  

Depois de algumas horas, tudo é paz. As luzes aos poucos se apagam. Não se vê mais cores no céu, nem músicas ao fundo. O que se escuta é o silêncio gostoso das crianças na cama. Do descanso merecido depois de tanta celebração. Até porque, no outro dia, ainda é dia de comemorar. E relembrar que o dia de amar, de abraçar e de viver é todo dia. 

E então? É Natal...


O último suspiro

19 dezembro, 2014
Fazia frio naquela tarde e nem o calor do cobertor conseguia aquecer sua alma. A amargura era tão forte que transpassou as paredes de sua pele e pairava pelo quarto. Os olhos cansados encaravam o nada. Lembravam internamente dos erros cometidos, das pessoas magoadas, das coisas que se arrependeu. Havia tanto pra falar. Tantas pessoas para abraçar. Chorar, talvez. Não sabia ao certo se ainda conseguia tal feito. Engoliu em seco, como havia engolidos todas as palavras gentis que precisava ter dito no passado. Palavras... Nunca as mediu. Sua confiança não era só pose. Seu egoísmo não era só insulto dos demais. Em suas veias corria a sensação de que dominava o mundo. 

BILHETE DA GARRAFA | O ÚLTIMO SUSPIRO

Sempre soube que não era perfeito, mas não se importava com as consequências das suas imperfeições e como elas refletiam em todos que só o queriam bem. E agora ali, prestava contas com sua consciência. Essa, estava finalmente acusando e provando com fatos o quanto sua vida havia sido errada. Mas talvez nem precisasse de todo esse julgamento. A solidão que lhe acompanhou nos últimos momentos era a prova final que precisava para que a sentença fosse dada. 

Agarrou o cobertor, numa tentativa frustrada de encontrar alento. Suspirou. Um suspiro que era um misto de cansaço e medo. De dor física e mental. Ele, que sempre se orgulhou de ser só, agora queria um olhar que o confortasse e as palavras doces que chegariam em seus ouvidos dizendo que tudo ficaria bem. Mas só tinha escuridão. Lá fora, no quarto, dentro de si... 

Se pudesse voltar atrás... Faria tudo igual. Sabia que seu destino era fadado ao vazio. 

Então cansou de lutar. De brigar com sua mente e com o resto do mundo. Cansou da pose, dos insultos, do frio. A única coisa que restaria de tudo aquilo era o escuro. Soltou mais um suspiro, o último suspiro. Descansou, porém não em paz...

Entre os pingos da chuva

13 dezembro, 2014

Chove incessantemente lá fora. E não há mais barulho qualquer que não seja o das gotas caindo e dos trovões que se manifestam imponentes. Ao longe, pessoas com passos apressados, seguindo em direção a um local seguro onde possam se abrigar, tentando se proteger da tempestade. Engraçado, um evento tão corriqueiro representa tanto nossa vida.

Estou na companhia de uma boa xícara de café, de meu caderno rabiscado e de milhões de pensamentos sobre tudo e sobre nada. Talvez fosse melhor ir de encontro à água que cai e lavar o corpo, a roupa, a alma... Despir-se de todas as coisas que me prendem à tristeza. Mas o cenário melancólico me faz ficar. Me faz observar. Me faz sentir. E grande parte do que sinto é transformado em palavras. Peito e mente abertas, sem nada a esconder ou temer. 


BILHETE DA GARRAFA | Entre os pingos da chuva

A cama desarrumada me convida a habitá-la e desligar do mundo por algumas horas. Talvez na TV estivesse passando aquele filme que sempre quis ver. E entre minha coleção de DVDs, alguns que ainda nem foram abertos. Mas eu prefiro ficar presa a essa mesa e encarar meu próprio eu. Um trovão mais alto me retorna a realidade. Me desperta dos pensamentos sem aviso prévio. O café começa a esfriar e as palavras se embolam na escrita torta. 

E então percebo o quanto essa atmosfera é acolhedora. 

A chuva vai cessando devagar e a noite vai tocando sua chegada. Já pode se ouvir novamente o barulho das buzinas desafinadas e dos motores arrancando por entre as ruas molhadas. Ouço pessoas, conversas, músicas lá fora. Mas tudo o que sinto nesse momento é paz. Nesse cenário solitário, é o silêncio dessa casa vazia e fria que me abraça. 

Espalhe o amor por aí

08 dezembro, 2014

Sabe aquela velhinha que você encontra todo o dia no ponto e te faz pensar o que raios ela faz ali todas as manhãs junto com aquele bando de gente mal humorada à caminho do trabalho? Pois bem, você até saberia a resposta se prestasse atenção quando ela vira em sua direção e começa a conversar. Mas você prefere colocar os fones, aumentar o volume do celular e fingir que ela está falando com o ar. Ou com a primeira pessoa que resolver ouvir. Afinal, sua música é muito mais interessante que o papo daquela velha. 

Já parou pra pensar que quem está perdendo é você? Imagina quantas histórias ela viveu e poderia te contar. Talvez ela tivesse a solução daquele problema que você vive quebrando a cabeça e ainda não soube como resolver. Tudo o que ela quer é alguém pra conversar, compartilhar coisas e passar o tempo. Quem sabe assim, essa viagem tão monótona e demorada se tornaria um pouco mais agradável para ambos. Mas não só você, como ninguém liga.


E aquela prima tão chata que insiste em grudar em você nas festas de família? Senta do seu lado e começa a cantar todas as músicas da Peppa ou de algum outro desenho infantil dessa geração que você já não sabe mais diferenciar. Conta do desenho lindo que fez na escola, uma borboleta, que você poderia jurar ser um cachorro se ela não te contasse. Você engole seco, conta até 10 e foca seu olhar no programa chato da televisão de domingo para não mandá-la sair dali com um grito. Entende que nessa história você é o mala e ela é só uma criança que quer compartilhar seu pequeno universo contigo. 

Em um mundo onde postar supostas frases de grandes filósofos no facebook que propagam que amar e respeitar são as leis maiores, encontrar pessoas que realmente as cumpram é raridade. Mais do que hipocrisia de fato, a humanidade está desacostumada a pequenos gestos como esses.

Tome uma atitude positiva. Escute a velhinha do ponto, Cante com a prima do churrasco. Mande flores. Plante flores. Dê conselhos. Permita-se escutar e melhorar. Dê bom dia pro garçom da padaria em que você toma café todas as manhãs. Abrace quem você ama e deixe bem claro todos os dias. Mande uma mensagem para quem está longe lembrando a falta que ela faz e a importância que ela tem em sua vida. Experimente espalhar o amor por aí nas pequenas coisas. Lembre-se que elas podem ser insignificantes pra você, mas podem fazer o dia, o mês, o ano de quem as receber.

Carta a um desamor

02 dezembro, 2014
Olá pra você, que já foi tanto e agora é um eterno vazio.

Faz tanto tempo que não sei nada sobre você. Se está bem, se está firme com alguém ou se continua nas noitadas como estava quando decidi te esquecer. Eu tô bem. Aos trancos e barrancos, mas bem. E não sei porque, acordei hoje com você no pensamento. Estranho, pois já tinha me acostumado a nem pensar mais. Mas me veio tanta coisa na cabeça, tão do nada, que foi preciso parar e respirar fundo antes de voltar a focar a mente em qualquer coisa mais importante do que lembrar da sua existência. 



Você é aquele tipo de história que a gente deleta a mágoa, guarda a lição e decide não lembrar mais nem do que foi bom. Mas hoje lembrei. E vi que realmente já não há sentimento algum, apenas uma série de indagações de como tudo seria se a vida tivesse dado um rumo diferente pra nós dois. Mas que dois? Se sempre fomos uma invenção maluca da minha mente que eu insistia em alimentar para fingir ser feliz e você insistia em confirmar, talvez pelo seu ego, talvez por nunca ter se preocupado com nada nem ninguém que não fosse você mesmo. 

No fundo eu sempre soube que não éramos nada. No fundo, eu dizia acreditar nas suas verdades sabendo exatamente onde mentia. E você mentiu onde mais me doeu. Sem um pingo de consideração, sem pensar que estava provocando os sentimentos de alguém jovem, que ainda engatinhava nesse processo de se entregar pra alguém. Você cumpriu seu papel até onde foi possível, e quando a máscara caiu, você viu todos os pedaços da ilusão caírem ao chão junto com meu coração. E eu peguei cada caco, saí por aquela porta e tratei de remendar por completo longe de você. 

E não vou te enganar: Demorou. Vez ou outra eu colava um pedaço errado e tudo tratava de desmoronar de novo. Muitas vezes pensei que não conseguiria sozinha e que precisava da sua ajuda. Pensei também que jamais ele voltaria ao normal depois da queda que levou. Mas depois de muito esforço, ele estava ali. Com algumas cicatrizes, mas batendo no compasso certo. E já faz tanto tempo. Depois de ti, fui tratar de ser feliz. Veio tanta vida, tantas paixões, tantas histórias que você nunca ouvirá porque nunca mais vai saber de mim. 

E por incrível que pareça, só posso te agradecer. No fim das contas, você foi professor e me deu a lição mais importante. E quando passei no exame final, não passei de ano mas cresci e amadureci mais do que qualquer livro ensinaria.


Que você fique em paz, como eu fiquei sem você.