19 outubro, 2013
Ela mantinha tudo organizado. Não as coisas materiais, estas viviam na mais completa bagunça. Mas seus planos... Ah! Esses sim pareciam ser moldados com o maior cuidado. Seus sonhos, suas conquistas e seu coração. Este último, depois de tantas batidas descompassadas, de tanto acelerar de amor e desamor organizou-se por si só. Passou a ser metódico, bater em um só ritmo e seguir seu próprio rumo. E descansou enfim. Solitário, porém em paz.

Ela caminhava apressado, no mesmo ritmo de sua vida, que passava sem dó. Em meio a sorrisos sem graça e gracejos sem intenções, ela ria de si mesma e de suas derrotas. Mesmo que isso a fechasse cada vez mais. Sem querer ela ia se tornando o seu próprio mundo. Sem perceber, ia se sufocando cada vez mais em si mesma. E o coração? Ah, esse começou a bater mais devagar. Sentia falta agora dos seus tempos de exaltação. Não havia mais porque se acelerar. Sua rotina foi se tornando tão monótona que ele mal dava sinais de que estava ali. Apenas batia. Apenas existia.

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