Hoje sou dona de mim

18 julho, 2016
Um brinde a mim mesma, por favor.

Créditos: Unsplash
Não quero destratar antigos amores ou falsas amizades que se foram. Pelo contrário, preciso ressaltar que sem eles, não seria o que sou hoje. As lágrimas me fizeram mais forte. As decepções me fizeram entender que o caminho é longo até a felicidade, e pode não ser tão fácil como esperamos. Nunca é. Mas é recompensador chegar onde se espera. E se o resultado não for bem o que queríamos? Podemos nos surpreender com as surpresas que a vida nos reserva. Então meu obrigada a cada pessoa que passou pela minha vida, deixando marcas positivas e negativas.

Um brinde especial a quem eu era também. Amadurecer e mudar faz parte do processo. Ninguém é o mesmo que era há 10 anos atrás. E provavelmente não será o mesmo também daqui há 10 anos. Mas guardar com carinho nossas antigas versões faz parte do processo. 

Hoje sou dona de mim. Essa frase pode soar presunçosa, pretensiosa para alguns. Mas permita-me explicar. Vivemos em um mundo onde somos ensinados a nos moldar em todos os aspectos. "Porque você não assiste o programa x?", "Você ainda gosta da banda y?", "Talvez se você usasse o cabelo dessa forma e pintasse dessa cor ficaria melhor", eles dizem. Tudo isso influencia numa busca muito mais profunda do que nós somos. 

Qual o problema da banda que eu ouço? E do meu cabelo desgrenhado? Indo mais longe: Como meus defeitos e qualidades são vistos pelo mundo? Será que tenho mais a oferecer? Se não tomamos cuidado, acabamos reféns da imagem que as pessoas têm de nós mesmos e isso é uma atitude destrutiva. Vamos perdendo os traços que nos fazem únicos. E o que sobra, afinal? 

Isso daria uma boa tese de bar. Ou um texto. Então faço os dois. 

Entre cervejas e palavras, fui me descobrindo. Descobrindo que não há mal nenhum em ser dono de si mesmo. Pelo contrário, é a melhor coisa do mundo! Ter a plena consciência dos seus gostos, opiniões, valores e planos também te faz enxergar os outros de uma forma diferente. Você se sente mais leve, em paz. Você se ama plenamente e esse amor exala para os mais próximos. Não é egoísmo. Não é vaidade. É a mais pura forma de aceitação. Então apenas me deixe. Me deixe ser dona de mim.

Fim de jogo

20 junho, 2016
Estou te escrevendo mil textos. Todos vão ficar guardados no fundo da gaveta. Desculpe, meu bem, pela falta de coragem para apresentá-los. Prefiro criar mil cenas na cabeça enquanto, na vida real, brinco de fingir que não estou nem aí, e que tanto faz quanto fez. Afinal, logo menos tudo isso também será apenas fruto da minha memória abarrotada. É assim que monto minha armadura para o mundo e passo os dias muito bem, obrigada.

Créditos: DavidMolina
Se não te digo todas essas coisas é porque sei que, no fundo, você não as merece. Não merece alguém tão cheio de sentimentos nessa sua vida vazia de interesses verdadeiros. Prefiro te ver saindo todas as noites por aí, do que sentir seus braços ao meu redor, mas não te sentir verdadeiramente. E se tem uma coisa que eu nunca aceitei - sendo esse um defeito meu ou não - foram meias verdades.

Nunca aceitei ser o "talvez sim, talvez não", nunca achei confortável ocupar o banco de reserva quando sei que tudo o que quero e preciso é assumir a braçadeira de capitão. Então é hora de encerrar essa partida e retirar o time de campo. Mas com certeza, dessa vez, eu não saí campeã.

O time sai lesionado, machucado. Mas nada como o tempo para prepará-lo de volta ao campo, não é mesmo? Pode ser que essa partida não tenha sido muito justa. E eu realmente acho que não foi. Mas entrei sabendo de todos os riscos e por isso saio de cabeça erguida. Porque nesse jogo de amar, se os dois não estiverem com o mesmo objetivo no decorrer da partida, no fim haverá desavenças. E quem arriscou tudo sabendo que não podia arriscar, fui eu.

Naquela noite qualquer

08 maio, 2016
Talvez eu precise de mais um gole daquela bebida amarga que eu tanto gosto. Talvez eu precise de mais uma volta por aí ou 15 minutos daquele programa inútil que adoro assistir... Seria uma boa opção abrir minha lista de contatos e deslizar até um nome disposto a uma volta ou algo mais nessa noite quente de outono. Qualquer coisa que prenda minha atenção e desvie meus pensamentos da sua silhueta na meia luz daquele quarto naquela noite qualquer.

Créditos: markusspiske

Preciso confessar que sempre tive uma queda pelo errado. É algo que está impregnado no meu DNA. Gosto do que não posso ter, do que não irei conseguir, do que é difícil de alcançar. E no seu caso não foi diferente... Como aquela criança que ficou tentada com o "não" da mãe, como o alpinista que se encanta com o topo da montanha e não descansa enquanto não colocar sua bandeira no topo. Esse sou eu. E lá estava você... Tão linda e radiante, cheia de vida, cheia de si. Cheia do mundo e de tudo o que ele tem de bom. Aí não teve jeito... Meu DNA pulsou, apitou, gritou. Queria você.

Botei minha melhor roupa, caprichei no perfume, me envolvi nas suas ideias para descobrir que você era ainda mais fascinante do que eu podia imaginar. Como isso era possível? Talvez fosse a empolgação da conquista, de estar tão perto de te ter nem que fosse por uma noite. E para minha sorte e felicidade, você queria também. Nos conseguimos. Estufei o peito para dizer que naquela noite, você estava nos mesmo lençois que eu. Saí de lá satisfeito e fui viver outras bocas, enlaçar novas conquistas e te deixei ali. Mas pro meu espanto, você não deixou de estar em mim.

E entre um gole de café e uma palavra mal escrita, seu rosto me aparece, seu beijo me invade só para me enlouquecer e para me provar que no fundo, eu não tenho controle de nada. Quero mais dos seus devaneios. Quero acordar no meio da madrugada e virar pro lado, te ver dormir e saber que não é mais só mais uma noite qualquer.

Enquanto não consigo, sigo por aí, subindo minhas montanhas particulares quando minha vontade mesmo é subir até sua porta, te beijar até tirar o ar e dizer que chegou o momento dos nossos universos se juntarem. Basta você querer. Porque eu tô te querendo desde o dia em que percebi que impossível mesmo, era esquecer esse seu jeito.